BATERIA E PERCUSSÃO COM DIEGO OLIVEIRA - AULAS - SHOWS- WORKSHOPS- FREELANCE - MASTERCLASS

TOCANDO A VIDA

AQUI VOCÊ VAI ENCONTRAR ALGUNS CAPÍTULOS DESTE LIVRO FASCINANTE!

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“Tocando a vida”

Agradeço a Deus pelo dom da música.

 Hoje vivemos em um mundo altamente consumista, o dinheiro é tudo, nunca se falou tanto em pessoas que não acreditam em Deus, a vida se tornou uma verdadeira escravidão e as pessoas não se dão conta disso, temos que trabalhar em dois ou mais empregos para ter dinheiro para comprar um carro novo, uma televisão nova, um celular e tantas outras coisas quase inúteis, e por conta disso o ser humano está perdendo sua saúde mental, pois não tem tempo para fazer algo que goste como música, esportes, artes, pesca, jogar futebol, ler um livro ou estar com a família; o ser humano está perdendo a saúde do corpo por que não tem tempo para se alimentar calmamente e nem se alimenta bem, hoje nos alimentamos nos fast-foods, não temos tempo para ir ao médico fazer consultas de rotina, não há tempo para fazer exercícios, o quando andar de bicicleta é bom? Mas não, eu tenho um carro zero e me dá preguiça!

O ser humano está perdendo a saúde espiritual, não temos tempo para ler a bíblia, para rezar, orar, ir à igreja, cantar para Deus, não temos tempo para Deus!

Homens sem fé, na família não existe mais a moral, os bons costumes, isso é coisa do passado!

Não é não, um dia a vida boa vai acabar nada de poder andar de carro todos os dias, nada de gastar água a toa, nada de nada, o mundo está vendo cada vez mais catástrofes da natureza por não cuidar dela, as pessoas vivem cada uma por si, olho por olho, dente por dente, onde está o amor, o respeito? Aí vem um imbecil e diz? Onde está Deus vendo todos sofrer e nada faz? Eu te respondo amigo (a); o homem criou centenas de leis para o mundo poder andar em harmonia, Deus criou apenas 10, os dez mandamentos, se seguirmos apenas estes, não precisamos das demais, este texto é para todos, e pra mim também, acredito que devemos ser como crianças, rir mais, brincar mais, ter mais inocência, ter menos afazeres, ter mais Deus, ter tempo para se divertir.

 Quando eu era criança eu não tinha dinheiro sobrando, tinha o básico para viver, comida sem frescura, amigos, família e Deus, não me diga que você tem muitos problemas, que sofre por isso ou aquilo e por conta disso você age assim, todos tem problemas, cada um com o seu, hoje ninguém tem culpa de nada, sempre há uma explicação, meu pai era isso, minha mãe aquilo, eu vi horrores, era pobre e tantas outras coisas, desculpas. Eu digo Não!!! Nós temos escolhas, nós temos a responsabilidade sobre nós mesmos, e eu escolho Deus eu escolho ser feliz!

Este livro conta um pouco da minha história, nele me transformei em um personagem, assim como os livros de romance ou ficção, há também outros personagens que você irá conhecer e também se familiarizar, alguns nomes foram trocados para que eu não colocasse ninguém na “fogueira” e outros personagens possuem seus nomes originais por concessão dos mesmos, é uma autobiografia com muita emoção, trapalhadas, fé, sofrimento, alegrias de um ser humano que toca sua vida com duas coisas que não podemos ver, só sentir, são elas a música e Deus.

Espero que você se identifique em alguns momentos, afinal todos temos histórias para contar.

 Agradeço ao leitor por ter comprado este livro, e espero que ele possa lhe dar oras de felicidade e também de reflexão, para uma vida mais vivida e mais feliz, que você viva mais sua vida, trabalhe o necessário, brigue menos, arrume menos coisas ruins para se preocupar e tenha muitas coisas boas, agradeço a Deus mais uma vez por esta realização e por minha vida, por cada passo que eu dei, agradeço minha filha, que é meu tesouro, te amo filhota!  Agradeço minha esposa por ter a paciência comigo e dormir enquanto eu fiquei escrevendo e fazendo os tec-telec-tec da digitação no teclado do computador, agradeço aos meus pais e aos amigos, Deus abençoe a todos nós.

Felicidade para todos!



Diego Oliveira.

Início

Bom aqui caro leitor começa a caminhada e a história de nosso personagem real, Diego nasceu em 1982 no hospital do Cambuci em São Paulo Capital, morou com seus pais no mesmo terreno da casa de sua avó por parte de pai na Cidade de Cotia-SP, há uma frase que diz:

“Sempre que uma criança nasce, é a prova real que Deus ainda acredita no ser Humano”.

A mãe de Diego era muito bonita, estava sempre bem arrumada e deixava a casa um brilho só, sempre em ordem; o pai do menino trabalhava durante o dia e geralmente durante as noites e principalmente nos finais de semana, tocava bateria para se divertir e ganhar um dinheiro extra, ele começou a tocar bateria aos nove anos de idade e usava baldes, panelas e o que servisse como tambor, logo ele ganhou sua primeira bateria e ainda criança já tocava profissionalmente em bailes e clubes, participou até de alguns programas de TV!

Entre os entreveros da vida, os pais do menino estavam em uma faze juntos/separados, e vice-versa, Diego já ficava boa parte de seu tempo com sua avó, que morava na casa de cima do terreno e também a casa maior, a Vó Linda como ele chamava, por que seu nome era Maria Olinda, e sua irmã, Terezinha que Diego a chamava de vó-Tia, foram as que criaram o menino, em uma das brigas de família, seu pai e sua mãe se mudaram, alugaram um apartamento, Diego continuou morando com a avó, aqui como em um livro de história, há várias versões, segundo a mãe de Diego a avó ameaçou se matar se tirasse o neto dela e, segundo a vó, a mãe não quis ficar com a criança, bom, que seja, o que conta é que Diego foi criado pela avó e ia visitar os pais nos finais de semana, na verdade só em alguns, Diego gostava de visitar o apartamento onde os pais moravam, lá ele fez alguns amigos e também conviveu com primos, a casa onde seus pais moravam foi alugada para um casal, que até então tinha um filho, o Alex, logo depois vieram mais dois, o Rodrigo e o Tiago, ali era uma festa, Diego tinha um velotrol, que era bem legal, era vermelho com um rostinho na frente, tinha um jipe verde exército, e uma bicicletinha, mas todos brincavam, era um tal de um bater no carrinho do outro, brigar, brincar, coisas de criança, mas ali era muito saudável, pois os meninos passavam o dia brincando, a vó Linda ganhava pouco, era apenas um salário mínimo, já a vó-Tia ganhava um pouco mais, o dinheiro era bem curto, mas dava pra viver, ali naquele quintal e naquela vizinhança aconteceu grande parte das nossas histórias aqui contadas, a casa de baixo era média de tamanho, ela ganhou o nome de “casinha”, tinha um quarto, uma sala, uma cozinha e um banheiro, na frente da casa tinha uma área, o Piso era de cacos, e tinha uma cobertura de telha Eternit, no fundo da casa, era o terreno do vizinho, ali tinha algumas árvores frutíferas como, laranjeiras, abacateiros, e alguns pés de ameixa.

Diego e seus amigos subiam na casa para pegar algumas dessas deliciosas frutas, as ameixas e os abacates eram os favoritos, olhando de frente para a casa, ao lado esquerdo dela, tinha outra casa, a laje desta era apenas a um metro do piso do terreno da casa dos pais de Diego, e claro, ele sempre subia lá para brincar; Esta casa menor ficava de lado no terreno, e do lado direito dela, estava a casa da Vó Linda, de frente com a casinha tinha uma rampa de cimento, que dava acesso à casa de cima.

 A casa de cima, que era a da vó Linda, era maior, tinha dois quartos, uma sala grande, cozinha, um banheiro, e uma varanda com muitas plantas das vovós, a varanda tinha a frente voltada para a rua, e era toda de vidro, Diego achava linda a varanda, na frente da varanda tinha um jardim, do lado da casa ficava a garagem, também com telhas de Eternit, o muro lateral dava de frente com uma viela, que era muito íngreme e não havia asfalto, nem pedras, era chão batido, terra vermelha, quando chovia era um caos, ao lado da viela, tinha um grande terreno com muito mato, lixo e algumas sucatas, muitos vizinhos jogavam as coisas lá, ali Diego brincou muito com seus amigos, o bairro se chamava Atalaia, Diego amava morar lá, nesta época, a rua era de terra com pedras que a prefeitura jogava de vez em nunca, era uma decida incrível, na frente da casa do Diego atravessando a rua, tinha um enorme buraco, era um grande terreno com o nível bem abaixo que o da rua, que mais tarde se transformou em dois estabelecimentos, uma creche e um pré-primário, ali ele entrou poucas vezes, pois estudava no centro da cidade na fase de jardim e pré-escola.

A Vó linda trabalhou em muitos lugares, até em um sanatório, quando Diego tinha cinco anos, ela trabalhava em uma casa, fazia faxina, comida, e coisas assim, Diego saia logo de manhã para ir à seus estudos, e depois ia onde sua Vó trabalhava, ele a ajudava, e também engraxava os sapatos do dono, ai ganhava um dinheirinho para o doce; Na casa tinha uma cachorra chamada Teca, que gostava de brincar de pegar as coisas, e o menino sempre brincava com ela, a Vó linda fazia polenta com carne, a Teca adorava.

Terminada a jornada de trabalho da Vovó, os dois voltavam para casa, no bairro Atalaia, e Diego podia brincar com os amigos.

Algumas vezes Diego e os amigos iam à pré-escola que ficava no mesmo bairro onde eles moravam, a do terreno chamado “Buraco“, entravam lá para ganhar saquinhos de leite de soja que sobravam da merenda das escolinhas, o que pra ele era o máximo, antes que as escolinhas fossem construídas, a prefeitura já tinha cercado o grande buraco com um meio muro e telas de arame, o lugar era perigoso e muito fácil para ocorrer acidentes.

O Fiat 147 do pai

O pai do Diego sempre fez muitos rolos de carros, teve algumas Brasílias, fuscas, um bugg, um maverick e alguns fiats 147, que eram os preferidos de Diego, em especial um verde metálico, as rodas eram cromadas com detalhes em preto, Diego até ficou jururu depois que o pai vendeu o carro, sempre quando o pai trocava de carro ele levava o garoto para dar uma volta, teve uma vez que o pai do Diego comprou um fusca e chegou tarde da noite na casa da vó Linda, ele entrou na casa olhou para o Diego e disse:

-Acabei de pegar um carro novo, quer dar uma volta?

Diego nem pensou e respondeu:

-Claro!

O carro não era zero quilometro, antigamente era muito difícil comprar carros zero, não havia os financiamentos que existem hoje em dia, quem tinha um carro ou comprava a vista ou comprava parcelado em poucas vezes, o pai do Diego fazia muitas trocas de carro, por isso teve vários, algumas vezes a diversão do garoto era ficar perguntando ao pai quantos carros ele já teve, qual era a cor, como pegou o carro, como era o painel, teve carros que o menino nunca viu, mas ouviu falar, como um fusca cinza grafite que o pai teve, com o painel com tantos marcadores que Diego ficou dias imaginando como seria, seu pai falava que o fusca tinha painel de avião.

 Lembram do maverick?, pois então, este foi um dos carros que Diego nunca viu, ele nem era nascido quando seu pai o tinha, mas, sempre ouviu falar, o maverick do pai foi trocado por dois fuscas, O pai do Diego contou que o cara que pegou o maverick, quando viu o carro ficou doido por ele e, enquanto não o possuiu não ficou tranqüilo, Diego sempre pensou que seu pai nunca deveria ter vendido o carro.

A vó Linda uma vez contou para o Diego uma coisa que aconteceu no terreno em frente a sua casa, o “buraco”, com um dos fiats 147 do pai, ela disse que quando as escolinhas ainda não tinham sido construídas, antes mesmo de ali colocassem qualquer tipo de proteção ou grade, o pai do Diego que na época nem tinha nascido, foi sair como de costume, ligou o carro, ligou o som, deu ré e quando viu, já estava lá embaixo, no buraco com as rodas pra cima, a vó Linda saiu desesperada, quando chegou lá, achou o seu filho com o som ligado, com sinto de segurança e dando risadas, vendo o mundo de cabeça para baixo!



O caso Monstra, de comédia a história de terror

Isso aconteceu ainda na pré-escola; Sempre na classe de aula tem o garotão que as meninas são apaixonadas, também a menina linda que todos gostam, mas ela só da bola pro garotão, há os sarristas, brincalhões, os que jogam bem futebol, os game - maníacos, os estranhos-esquísitos e vários outros. Na turma de Diego não poderia ser diferente, lá existia uma menina que todos tinham medo, em seu rosto não havia expressão, seu andar era militar, o olhar mortal, dela não se ouvia uma só palavra, era um verdadeiro monstro (coitada), havia um detalhe nela que era interessante, ela usava sandálias de couro marrom com meias brancas, isso no inverno até fazia sentido,  mais ou menos né, por que usar sandálias no frio?, Não é mais fácil usar tênis ou sapatos? Ai o leitor pode pensar, vai ver a coitada não tinha, ela tinha tênis sim, mas era raro usar, Bom, vamos voltar a nossa história, afinal gosto é gosto, mas no verão? Aquele calor? Para que as meias? Ai me desculpe, vamos lá outra vez. Essas perguntas, Diego fazia em sua cabeça de criança, um belo dia ele resolveu tirar sarro e a transformou na mostra no pré-primário, a menina das sandálias com meias, de terror para a comédia da escola, e todos entraram nesta onda, o leitor com certeza já foi criança e sabe como é?

Um belo dia Diego foi com sua avó para comprar um tênis, só que estava muito calor e ela resolveu comprar uma sandália, tudo bem até ai.

Passado alguns dias o tempo esfriou, Diego acordava muito cedo para ir à escolinha, dai começou o pesadelo, colocou as sandálias e sua vó disse, está muito frio coloque meias! Diego na mesma hora ficou travado e pensou (se eu for com sandálias e meias na escola, os meninos vão gozar da minha cara, vão dizer que eu sou o namorado da monstra! Isso não pode acontecer, vou falar que não precisa para minha vó), e assim o fez.

-Vó não precisa!

-Precisa sim! Está frio.

-Mais eu não quero!

E assim a conversa se estendeu, mais não teve acordo, a Vó Linda brigou e o obrigou a ir com as sandálias e com as meias.

Chegando na escola, começou o drama, como ele mesmo tinha pensado, as outras crianças começaram a falar.

-Olha lá o namorado da montra do presinho.

-Olha o senhor monstro.

E assim começaram a rir dele.

Diego constatou, o tiro saiu pela culatra!



Os Ninjas

 Diego sempre gostou muito de desenhos japoneses, entre eles os que passavam na extinta rede Manchete de televisão, também gostava das tartarugas ninja, Diego queria ser ninja, ele e o amigo Alex, as vezes eles se vestiam de ninja com uma camiseta no rosto toda dobrada, que ficava bem parecida com uma máscara ninja, camiseta preta de manga longa, calça preta e tênis também pretos, eles saiam à rua vestidos assim, entravam no meio do  mato, pulavam muros, entravam nos quintais de casas e chácaras onde tinham cachorro, só pra sair correndo dos mesmos e ter a sensação, nossa, sou ninja!

Uma vez estava Diego, Alex, Rodrigo e o Culta, que era um menino bem pobre, eles entraram em um matagal bem fechado, pra eles aquilo era um túnel de aceso a um casarão que tinha ali, e deram de frente com uma mamangava que picou o Culta bem na bunda! A bunda dele inchou tanto que um lado ficou bizarramente maior que o outro, foi um sarro.

O Culta só tinha um shorts, era um azul, uma vez os amigos do Diego iam nadar em um sítio, o dono do sítio quase nunca aparecia lá, Diego não quis ir, foram só seus amigos que na volta narraram a seguinte História rindo muito:

Diego nós chegamos no sítio e todos pulamos na piscina, o Culta falou:

-Não vou nadar, só tenho este shorts e não posso molhá-lo.

Todos disseram!

-Tire o shorts ué!

O Culta meio tímido tirou seu shorts, já tinha ido sem camiseta, por que também não tinha muitas, e se sujasse alguma, sua mãe brigava muito com ele, o Culta entrou pelado na piscina, e ficamos brincando na água quando de repente, aquilo que não imaginávamos aconteceu, o dono do sítio apareceu, ele viu aquela molecada toda na água e ficou doido, entrou na casa pegou uma espingarda e começou a atirar, todos correram, o culta ficou com tanto medo que esqueceu seu shorts lá, teve que vir pelado do sítio até a sua casa, andou dez quilômetros pelado, e nós rimos muito com a situação; coitado do Culta!

 Voltando ao loteamento, esse lugar que eles costumavam brincar era um loteamento embargado pela prefeitura, ali era pra ser um condomínio, mas não foi então ali virou um enorme matagal, com árvores e pista asfaltada, ali Diego e os amigos andavam de bicicleta, carrinhos de rolimãs, fizeram um campinho para jogar futebol, acampavam no meio do mato, em um desses acampamentos um dos amigos ficou com vontade de defecar e depois de telo feito não tinha papel, acabou se limpando com folha de urtiga, que arde muito, foi o fim do acampamento pra ele, o problema é que como era um lugar sem muito movimento, ali também iam pessoas para usar drogas, principalmente maconha, também iam muitos macumbeiros para ali deixar seus trabalhos, Diego morria de medo de ambos, varias vezes se deparou com eles, uma vez Diego e os amigos estavam procurando um lugar pra acampar no meio do mato e, quando estavam mato a dentro encontraram uma barraca com muitas pessoas fazendo macumba, os meninos viraram um foguete!

Outra vez eles iam apostar corrida de bicicleta, Diego adorava velocidade, mas tinha um que queria ir pelo mato, tipo moutain-bike,  então foi o Diego e o Alex pelo asfalto correndo e o Pingulim que era o menino que gostava de ir pelo mato, foi pelo seu trajeto favorito, Diego correu tanto que chegou bem na frente do Alex, ele chegou em um ponto que a rua não tinha saída, era um enorme circulo asfaltado, e bem no meio do circulo tinha uma Brasília parada, com três homens dentro e uma mulher, todos fumando maconha, Diego como veio depressa não viu o carro a tempo e quando os avistou já estava muito próximo, Alex chegou logo depois e, os dois ficaram travados sem saber o que fazer, quando eles olharam para o barranco viram o Pingulim escondido no meio do mato, aí os homens do carro perguntaram:

-Ei garoto, você tem horas?

-Não, não tenho; respondeu Diego.

Os homens estavam se aproximando e os dois meninos tremendo de medo, foi quando os maconheiros ligaram o carro e vieram correndo pra cima dos meninos, que saíram com suas bicicletas em alta velocidade, foram tão rápidos que, quando a Brasília dos maconheiros conseguiu os alcançar, os dois garotos entraram em um beco que só passava as bicicletas, ufa!

Pedrada na goiabeira

Em uma tarde, os amigos de Diego estavam vindo em direção à sua casa e, Diego viu que seus amigos comiam algumas goiabas, e ele perguntou;

-Onde vocês conseguiram essas goiabas?

-Ah, tem uma goiabeira na frente da casa do Sr. António, nós acabamos de sair de lá, o Alex e os outros ainda estão lá.

Diego Logo correu até a casa do Sr. António e, lá chagando enxergou a goiabeira que ficava bem em frente da casa, era muito alta e estava com muitos frutos, a casa tinha um grande portão, e por ele se era possível enxergar lá dentro, tinha uma pequena garagem e logo ao lado ficava a goiabeira, atrás da árvore já era à frente da casa com uma vidraça enorme e muito bonita, Diego perguntou a seus amigos que lá estavam.

-Como vocês estão pegando as goiabas?

-É muito fácil olha!

Diego ficou observando.

Os meninos jogavam pedras nos galhos onde as goiabas estavam, e elas caiam no chão, depois eles usavam pedaços de madeira e alguns galhos para puxar as frutas pelo portão, até que era fácil mesmo; Diego disse, que legal, vou tentar.

Diego pegou uma pedra bem grande e a arremessou na árvore, a pedra passou por entre os galhos e acertou a vidraça da casa, quebrando-a completamente, logo todos que lá estavam saíram correndo, Diego virou um foguete.

O mais engraçado e que geralmente em situações estremas nós pensamos muitas coisas em questão de segundos, Diego nessa situação de stress, correndo, pensou diversas coisas como:

-Nossa minha vó vai me matar, meu pai vai me bater, o Sr. António vai contar para minha vó, vou ficar de castigo, mas espera um pouco, se eu andar talvez ele pense que eu não estava tacando pedras lá, é isso, vou andar como se nada tivesse acontecido; e assim Diego o fez.

Logo Diego olhou para trás e viu o homem dono da casa correndo como um louco, Diego ficou apavorado, pensou, “ai, ele me viu!”, mas não vou correr.

A casa mais próxima do local era a do Diego, e todos os meninos correram pra lá, o Sr. António também, a criançada entrou na casa e o Senhor ficou na frente tocando a campainha, Diego chegou em seguida e passou como se nada tivesse acontecido, entrou na casa e viu que todos os seus amigos estavam lá, e o homem lá fora não parava de tocar a campainha.

A vó Linda Diego saiu para ver o que se passava, o homem estava furioso e disse a ela.

-Seu neto quebrou a vidraça da minha casa, quem vai pagar?

Diego ouviu e ficou desesperado.

Sua vó logo o chamou, com um grito!

-Diegoooooooooo!

-O que foi vó?

-O Sr. António disse que você quebrou a vidraça dele!

Mas o Sr. António interrompeu.

-Não senhora, não foi ele, quando eu sai de casa vi os meninos correndo e esse ai não estava junto, ele que é seu neto?

-É ele sim.

-Ah, não é ele, são aqueles ali, e mostrou os amigos de Diego.

O Sr. António xingou a todos e Diego ficou como se não tivesse jogado a pedra na sua casa.

Pensou rápido.

Avalanche

Do Lado da casa do Diego, existia uma viela, do lado da viela um terreno vazio sem muros, onde crianças brincavam e os adultos jogavam lixo o terreno era inclinado.

Diego e seus amigos que eram os irmãos Alex e Rodrigo, brincavam neste terreno quase todos os dias, ali ele aprontou muito, coitada da Vó Linda, ela que os salvava depois, como tinha lixo e entulhos, ele já tinha cortado um pé em um caco de vidros brincando de esconde-esconde, já desenterrou um cachorro morto para ver os ossos, também enterrou uma borboleta, e muitas coisas, tinha muito mato e também tinha erva-doce, que ele pegava para seu porquinho da Índia, em um desses dias estavam lá Diego e os dois irmãos, e eles avistaram uma geladeira velha sem motor, Diego teve uma brilhante idéia pra “variar” e disse:

-Vamos brincar de mágico?

-Como assim, Responderam.

-Bom, eu vou à minha casa, minha vó tem uma corrente bem grande, eu pego a corrente e o cadeado do portão, vocês entram na geladeira e eu os tranco, e os dois tem que sair sem tirar o cadeado, como mágica.

Os dois toparam inocentemente.

Eles entraram na geladeira e Diego os trancou, lembrando que o terreno era bem inclinado, o menino juntou suas forças e empurrou geladeira com o Alex e Rodrigo dentro, e gritou:

-Avalanche.

Logo quando ele percebeu o que tinha feito era tarde demais! A geladeira rolou rápido, Diego foi correndo desesperado tentando parar a geladeira, ela descia cada vez mais veloz, no fim do terreno, tinha um tipo de barranco, que serviu de rampa, a geladeira subiu e decolou parecendo MotoCross, caiu e rolou mais uns metros, quando ela parou, Diego preocupado rapidamente a abriu, vendo que eles estavam bravos, Diego foi ajudar, mas os dois queriam pegar o garoto que desapareceu correndo, a  tentativa de pega-lo não teve êxito, pois, o garoto correu em disparada e só parou dentro de sua casa.



A pipa

Um dia o menino Diego queria soltar pipas, não sabia fazer, então decidiu comprar uma em um bar de seu conhecido que todos chamavam de Lilim, depois de comprar foi fazer a rabiola e o resto necessário para que ela voasse. Ele não gostava de cortantes, que eram feitos com vidros despedaçados até virar pó e colados nas linhas, pois ele já conhecia histórias de motociclistas que haviam morrido em acidentes envolvendo linha de pipa com cortantes enrolados em seus pescoços, mas a diversão da garotada era cortar as linhas das pipas um do outro, assim esta prática era chamada de “rachas de pipas”, mas Diego só queria mesmo era vê-la voar. Terminando tudo que era necessário, ele fez com que a pipa levantasse vôo, mas não demorou muito, foi abatido por outra pipa com cortante, o que fez a sua pipa se perder e flutuar, depois que uma pipa é cortada, quem pegar a pipa é o dono, assim era a regra, Diego logo correu para pegá-la de volta, mas quando ia alcançá-la um rapaz muito mais velho com seus dezoito anos mais ou menos a pegou antes, Diego pediu:

-Por favor, me devolva.

O  rapaz deu alguns tapas no Diego que foi embora, chorando e irritado.

Mais ou menos três a quatro meses depois, Diego saiu para jogar bola, o campo que ele freqüentava era ao lado de um enorme barranco, ele costumava olhar lá de cima para ver quem estava lá, e para sua surpresa ali estava o rapaz que pegou sua pipa, logo sua irritação parecia ter voltado com a mesma ira do acontecido, olhando para seu lado percebeu que existia ali uma pilha de blocos de cimento para construção de casas, ele pegou um bloco, e ficou esperando, até que o rapaz se aproximou do barranco para cobrar um lateral no jogo de futebol, e Diego não pensou duas vezes, jogou o bloco lá de cima acertando o rapaz, Diego o viu cair, logo saiu em disparada.

Anos depois entrou trabalhar em uma bicicletaria e percebeu que os demais trabalhadores não conversavam muito com ele, em especial um cuja fisionomia não lhe era estranha, se incomodando com a situação foi perguntar ao rapaz:

-Por que você me trata com indiferença?

Obteve a seguinte resposta.

-Você realmente não sabe, ou acha que tenho cara de palhaço?

-Não, realmente não sei.

Você não lembra que tacou um bloco em mim, me fazendo desmaiar e ir ao hospital?

-Nossa eu sabia que seu rosto não me era estranho, saiu rindo pedindo desculpas sem acreditar, como o mundo é pequeno.

Panela de pressão

Do lado da casa do Diego existia uma viela e, do lado dessa viela tinha um terreno vazio, que as pessoas jogavam lixo, Diego e seus amigos costumavam brincar lá, um belo dia, próximo das festas de São João, época em que antigamente algumas mercearias, mercados e outros estabelecimentos vendiam bombinhas, algumas eram boas de brincar, outras eram muito fortes, mas como não havia muita fiscalização nesta época, qualquer criança as comprava.

Diego tinha comprado umas bombinhas médias e umas finas e, seus amigos também tinham comprado algumas semelhantes.

Neste dia aqui em questão, Diego e seus amigos estavam no terreno baldio brincando, tentando achar algumas latas para brincar com as bombinhas, eles procuraram e acharam algumas latas no meio do lixo. A brincadeira era a seguinte, colocar as bombinhas embaixo das latas e as acender, a lata que subisse mais alto ganhava.

Algumas subiam alto, outras estouravam no fundo e nem subiam, e por conta das que estouravam, os meninos tinham que procurar novas latas para brincar, daí como ironia do destino, Diego achou uma panela de pressão, Diego a pegou e preparou tudo, colocou muitas bombinhas embaixo da panela e acenderam, todos saíram correndo e esperavam que a panela subisse quando, bum!, A panela nem saiu do lugar, o desapontamento foi grande, mas ainda maior era a criatividade de algumas crianças que não conhecem o medo por falta de experiência de vida, mas vamos lá, afinal são crianças, e que criança que longe dos pais não faz algumas cacas?

Diego e seus amigos juntaram todas as bombinhas, colocaram embaixo da panela, acenderam, esperaram e, Bumm; Subiu só um pouco, ai conversaram:

-Droga, não subiu.

-E agora, não temos mais bombinhas!

Diego deu a idéia:

-Amanhã bem cedo vamos à casa de bombas comprar pólvora, papel e pavio, ai fazemos uma bomba grande, duvido que a panela não suba.

-É isso ai.

No outro dia como era de combinado, eles saíram, compraram tudo o que precisavam e foram embora, já no terreno onde brincavam, pegaram o papel e a pólvora, fizeram uma bola com mais ou menos dez centímetros cheia de pólvora, colocaram pavio e fizeram a bomba; Em seguida pegaram a bomba e colocaram embaixo da panela de pressão, acenderam e...

Catabummm!

O estouro foi muito alto, e alto também foi à altura que a panela subiu, cerca de quinze metros de altura, o terreno era meio íngreme, e descendo o terreno tinha uma casa, esta casa tinha telhas do tipo “Eternit” e não tinha laje. Pois a panela subiu, subiu e desceu, desceu caindo na casa da vizinha, e como não tinha laje à panela caiu na sala dela, imaginem o susto! Você assistindo televisão bem tranqüila (a) e de repente uma panela cai na sua frente!

Era uma senhora que morava na casa, e o pior foi que quem pagou o telhado quebrado foi a vó do Diego.

Dardo humano

Diego tinha fascinação por vídeo games, sempre jogava na casa do Alex, Diego possuía alguns acessórios como: Controles especiais, jogos diversos, etc.

 Nem sempre teve vídeo game, o seu primeiro foi o Atari, depois da separação dos pais, o vídeo game ficou com a Mãe, por isso, juntava o dinheiro que ganhava trabalhando par comprar acessórios, os seus amigos tinham vídeo game, e ele levava suas coisas para jogarem juntos, depois de um período seu pai comprou um Phantom System, que foi comprado com muito choro do menino e também com um empurrãozinho dos amigos de banda do pai, que ficaram em cima dele até que ele comprasse, o Phantom System era um vídeo game parecido com o Nes, da Nintendo, era de 8 bits, Diego e seus amigos jogavam vários jogos, como Mario, Yo Noid!, Contra, Ninja Gaiden, etc, mais o favorito era Batletoads, esse era todos os dias, pra tentar chegar ao final do jogo, era possível jogar duas pessoas ao mesmo tempo, para tentar detonar as fases, a dupla formada era sempre Diego e Alex, neste jogo você controlava sapos, super sapos que davam uma baita porrada!

Batletoads foi considerado o jogo mais difícil de vídeo game de todos os tempos! Acredita?

Bom, a atenção era total, era quase uma meditação, decorar cada trecho, cada obstáculo, e na terceira fase, com o nome de turbo túnel, a atenção e a memorização tinha que ser dobrada, os sapos pegavam um tipo de jet-sky, que navegava entre ninhos e ovos de ratos, em uma velocidade alucinante, que ia aumentando ao longo da fase, e um belo dia, a dupla dinâmica tentando a qualquer custo passar o turbo túnel se depara com o irmão mais novo de Alex querendo também a qualquer custo, jogar Mario Bross, que estava fora de cogitação, mas ele queria jogar de qualquer jeito, e começou a atrapalhar os dois, tomar o controle, bater e gritar, Alex enfurecido chamou o outro irmão, o Digão e resolveram dar um basta, uma lição, para que o Batletoads nunca mais fosse interrompido, para castigá-lo amarraram seus braços e pernas bem abertas e o colocaram em pé, como se o menino fosse um “X”, eles tinham um jogo de dardos, e Diego usou o menino como alvo, atirando os dardos “sem ponta lógico” no menino, mas isso não durou muito, logo chegou a mãe que estava fora trabalhando e viu a cena, repreendendo Diego e os dois irmãos pelo que estavam fazendo, Diego sendo criado junto com os irmãos e também vivendo boa parte do seu tempo junto com eles, ficou assustado por ser criticado pela mãe do menino e saiu correndo nervoso, mas dando razão a ela por tudo, na verdade, ela nunca o havia repreendido, mais a cena do menino como alvo dos dardos foi ilária!



Aprendendo guardar segredos

Um dia Diego e um amigo conversavam e, o amigo perguntou:

-Você guarda um segredo?

-Sim guardo.

E o amigo lhe contou algo que para Diego era uma coisa tão comum que nem se lembraria e nem era necessário se preocupar em guardar segredo.

Muito tempo depois, estava uma grande quantidade de meninos indo a uma escola de capoeira e, surgiu um assunto que tinha a ver com o segredo que o amigo lhe confiara, Diego ignorou e contou o que o amigo tinha lhe falado. No mesmo dia na escola primária o amigo veio questionar Diego:

-Por que você fez isso?

-Fiz o quê?

-Por que contou meu segredo?

-Me desculpa, achei que não tinha problema.

-Eu pedi para não contar, para você pode ser insignificante, mas para mim era muito importante, você não sabe guardar segredo.

Diego não sabia o que responder vendo tamanha a decepção do amigo, que logo soltou uma bomba dizendo:

-Agora você vai aprender guardar segredo, nesta noite você vai ver o demônio ou vai sonhar com ele a noite inteira.

Diego ficou apavorado, primeiro por que já era medroso por natureza tratando- se da questão espíritos e, segundo por que já achava o amigo estranho em alguns atos na casa, também achava estranha a sua família, na verdade, Diego gostava muito deles, na época ele era seu melhor amigo e a família do menino o tratava muito bem, Diego estranhava por que era de uma família de católicos e a família do amigo era espírita e em alguns costumes era diferente.

Diego saiu pensativo e não contente com a situação pediu, implorou ao amigo para que o mesmo falasse que nada ia acontecer, pediu desculpas, mas o amigo só acrescentou:

-Está bem, você não o verá, mas sonhará com ele, para nada acontecer reze três vezes a oração ave-maria.

Diego foi embora, na mesma noite rezou tantas vezes que perdeu a conta, demorou a dormir, mas, cansado repousou em sono.

Teve um pesadelo terrível, como o que o amigo descrevera, sonhou com o inimigo do lado de sua cama, tudo estava vermelho como no inferno, demorou a passar a noite, e logo de manhã acordou com medo, mas aliviado, pois tudo teria terminado.

Na escola não tocou no assunto com o amigo que a primeira ação foi falar:

-Você não viu, só sonhou não é? Eu não podia voltar mais atrás, mas aconteceu o mínimo.

Diego nada respondeu, apenas refletiu, agora guardo segredo, todo e qualquer que seja, aprendi a lição.

Diego não teve sua amizade abalada com o acontecido, pois se julgava culpado de não guardar o segredo, ainda brincava muito com o amigo e às vezes saiam para nadar juntos, quando Diego tinha entre nove e dez anos seu amigo se mudou, Diego quase não o via mais, um dia ficou sabendo da notícia, seu amigo em um dia de sol com vários outros amigos saíram para nadar, o garoto nadava muito bem, mas este é o perigo, muitas pessoas nadam em rios, cachoeiras e represas, as vezes até embriagados, Diego mesmo até preferia os rios do que as piscinas, mas não gostava de abusar, ficava sempre próximo a borda, ou bolava um plano “B”, caso algo desse errado como cãibras, ou outra coisa qualquer, ele teria chance de se salvar, bom voltando ao garoto, neste dia de sol seu melhor amigo morreu aos doze anos de idade afogado, para a tristeza de sua família e de seus amigos, pois era um grande menino.

Sonho com presépio

Em seus sonhos por várias vezes um se repetia em noites diferentes, Diego sonhava estar deitado em uma cama, a sua cama, e do seu lado havia uma manjedoura com o menino Jesus, Diego a olhava e Jesus ainda menino olhava para Diego, era como se Jesus estivesse ali o protegendo e dizendo:

-Estou com você.

Isso aconteceu várias vezes quando Diego tinha de seus nove até uns doze anos de idade.

Em uma noite comum, Diego dormiu e teve o mesmo sonho, mas de repente uma mão com um braço muito comprido apareceu vindo da cozinha da casa, agarrou o presépio com o menino Jesus e levou-a, levando também toda a luz que estava com o presépio, no mesmo instante Diego acordou assustado e com medo, sentindo-se desprotegido e acreditando que algo aconteceria em sua vida, a partir dessa noite o menino já não conseguia dormir, começou a sofrer com insônias terríveis e mesmo quando tinha sono não queria dormir, pois começou a se perguntar:

-Será que Deus existe mesmo?

-E se Ele não existir eu morro e pronto?, Tudo acaba?, O que vai ser de mim?

-Nasci, vou crescer e morrer, mas isso não tem sentido.

 Diego ficava a cada dia pior, aumentando seus questionamentos e ficando noites sem dormir com medo de morrer, para piorar a situação, quando o menino conseguia dormir era atormentado por horríveis pesadelos que nem mesmo adultos gostariam de ver, sonhava que estava sendo açoitado pelo demônio e gritava, mas sua voz não saia, sonhava muitas coisas ruins. Muitas vezes o menino com medo de dormir pedia a sua vó para que ficasse acordada com ele fazendo companhia, e para distrair o sono inventava jogos, a vó que estava preocupada, amava o menino e fazia força para se manter acordada, jogava com ele jogos de damas, ludos, jogo da velha, mini bilhar, bolinhas de gude, desenhava com ele até ele se cansar e dormir. Durante um tempo ela contratava meninas para ajudar na casa e a mesma ficava brincando com Diego, passaram pela casa umas três meninas para o trabalho, mas por pouco tempo.

 O menino sofreu muito com isso e mal sabia ele que tudo na verdade tinha sentido, nunca saiu da memória essa terrível fase na vida do garoto, que só mais tarde entenderia tudo...

A da Casa da Vó Linda

Diego não gostava muito de entrar na sala da casa da Vó Linda, ele ficava a maior parte do tempo no seu quarto, na cozinha e quintal, ele gostava da área com os vidros, mais para chegar lá ele tinha que passar pela sala, e lá era de dar medo!

A casa era bonita, o piso dos cômodos era de carpete, com exceção da área de vidro e claro, cozinha e banheiro.

Tinha dois quartos, o maior ficava a Vó Tia, nele tinha uma penteadeira, uma televisão colorida, que na época era um artigo de luxo, não existiam muitas, eram novidade, e a da Vó Tia ainda era com controle remoto, o que era algo inacreditável, só ela podia mexer, mais ninguém, no quarto também tinha um guarda-roupas, duas camas e sua janela saia na área de vidro, a Vó Tia possuía algumas bonecas antigas, aliás, os móveis e a estética da casa era antiga, por isso o menino tinha medo, criança tem a mente muito fértil, produtiva demais, e nem sempre usa para coisas úteis, criança tem imaginação, e cria fantasias e universos diversos e, com móveis antigos, bonecas e outras coisas, as crianças acabam criando uma cena de filme de terror!

No quarto menor dormia Diego e a Vó Linda, este quarto também tinha duas camas, os móveis eram mais novos de idade, mais não de conservação, tinham dois quarda-roupas, um do menino e outro da Vovó, no guarda roupas da Vovó ficavam as coisas dela e ele tinha três gavetas, a de cima ficavam as roupas de cama, a de baixo algumas coisas da Vó linda e a última estava toda quebrada, só tinha a parte da frente da gaveta, ali Diego guardava coisas que ele considerava importantes, como, suas revistas de rock, na maioria do Guns N’ Roses, a Cópia do atestado de óbito do Raul Seixas, várias lâmpadas de led, alguns motores de carrinhos de controle remoto, que ele usava para fazer mini ventiladores, algumas fontes de alimentação de energia, seus desenhos, gibis em quadrinhos e mais algumas coisinhas; Isso tudo era muito importante para o menino, e como proteger todo seu tesouro?

Simples, com sua engenhosidade, ele desmontou um despertador velho, aquele de dar corda, colocou um prego na parte interior do buraco do guarda roupa, onde ficava a tampa da gaveta, amarou uma corda, prendeu no despertador que já estava pronto para disparar, e o colocou atrás da tampa, assim se alguém mexesse, o despertador tocava, e fazia um barulhão, mesmo se ele não estivesse em casa dava pra saber se alguém mexeu, pois a mola de pressão para acionar os martelos do despertador ficava frouxa, esse era seu sistema de segurança funcionou durante muito tempo, e foi violado uma vez, seu pai queria fazer uma limpeza na casa da Mãe, a Vó Linda e, quando abriu a gaveta viu as coisas e jogou fora tudo o que achava desnecessário, assim se foram alguns dos motores de carrinho, a certidão do Raul, e as lâmpadas de led, o que deixou Diego muito triste, pois se acabaram algumas brincadeiras de experiência que ele gostava de fazer.

No quarto da Vó Linda tinha uma Televisão em preto e branco, com estabilizador de energia, que variava muito na época, Diego nunca viu a casa ser pintada ou reformada, a cozinha era bem bonita, os móveis eram vermelhos e brancos, o fogão era vermelho e tinha duas asinhas para colocar as coisas, como panelas por exemplo, saindo pela porta tinha uma escada e dava de frente com a Casinha.

O banheiro tinha uma cortina de plástico para evitar que a água do chuveiro se espalhasse pelo banheiro todo, a porta era de madeira e não tinha fechadura, era um tipo de trinco de ferro, um pequeno pino.

A sala era grande, tinha uma baita cortina, o sofá era antigo e de couro, tinha uma grande estante e em cima da estante tinham muitas canecas, que eram do falecido irmão da Vó Linda e da Vó Tia, o Tio Mélio, era uma coleção, todas as festas de chopp e cerveja que ele ia, trazia uma caneca; Na sala havia também uma televisão em preto e branco, muitos livros, um jarro que as vovós guardavam as contas pagas, um ferro de passar roupas a base de carvão, e algumas miudezas; Mas, na sala haviam coisas de dar medo! Coisas aterrorizantes, coisas que realmente te deixariam completamente assustado! E com Diego não era diferente, por isso ele tinha medo da sala, lá estava o quadro de foto dele! É Dele mesmo, do Diego, era uma foto do pré-primário com fundo vermelho, segurando o canudo de formatura, só que Diego Tinha medo de sua própria foto, porque ele estava com o olho esbugalhado na foto, e ele achava que a foto ficava olhando pra ele, e não era só isso, lá na sala tinha coisas piores para dar medo, tinha um cavalo de balanço, que Diego tinha medo porque falaram pra ele que quando o cavalo de balanço, ou uma cadeira de balançar balança sozinha, sem ninguém a empurrar, é por que tem um espírito ali, e ele a viu balançando uma vez! Poderia ter sido vento, mais poderia ter sido a lenda do espirito da cadeira de balanço!

Na sala havia algo pior e mais terrível que todas as coisas de dar medo do mundo, lá estava o Cascatinha, que era um boneco caricato do cascatinha da televisão, só que nesta mesma época tinha um filme chamado, o “Boneco Assasino” que era um boneco chamado Chuck, que foi possuído por um espírito de um homem mal, um assassino, e dai o boneco saia assassinando as pessoas.

O boneco do Diego não era o Chuck, e sim o Cascatinha, mais era muito parecido com o Chuck, e somando todas essas coisas, quadro, cavalo de balanço, Cascatinha com cara de Chuck, móveis antigos, mais a cabeça fértil de criança do Diego, tudo aquilo virou uma cena terrível.

Quando Diego queria fazer alguma coisa na área de vidro, ele chamava alguém, ou então pensava muito e passava correndo de olho fechado pela sala, um belo dia, ele entrou na sala, e o Cascatinha estava olhando para ele, bateu um vento forte, que balançou as cortinas e também o cavalo de balanço, que por sinal, lá estava sentado o Cascatinha-Chuck, Diego ficou com tanto medo que partiu para cima do boneco e, lhe deu umas bofetadas, arrancou ele do cavalo de balanço e continuou dando bofetadas no boneco, depois o jogou ele e chamou a Vó Linda.

-Vó, dá este boneco e o cavalo para alguém, tenho medo!

-Tá bem Diego, Tá bem.

Vendo que o menino estava assustado, e a situação não mudava, deu os brinquedos, aliás, em alguns anos, em épocas como natal por exemplo, a família do Diego o levava para dar os brinquedos que ele não brincava mais, em um lugar chamado Cotolengo, que é uma instituição que faz parte da congregação de padres orionitas da pequena obra da Divina Providencia, em Cotia-SP, Lá estão algumas crianças e adultos com deficiência, e a instituição vive de doações, quando elas recebiam os brinquedos, ficavam super felizes e, Diego também.





A Televisão da Vó Tia

A Vó Tia era muito zelosa com suas coisas, principalmente com sua televisão colorida, só ela mexia, só ela usava, só ela ligava, nem o Pai de Diego, nem a Vó Linda, NINGUÉM.

Diego assistia Televisão no outro quarto, o que era da Vó Linda, e esta TV era preta e branca, não possuía outras cores, e em 1988 na extinta TV Manchete foi lançado um seriado Chamado originalmente de Dengeki Sentai Changeman, no Brasil com o nome de Esquadrão Relâmpago Changeman, que eram Cinco integrantes do exército dos Defensores da Terra na estoria eles são banhados pela Força Terrestre e adquirem cada um os poderes de um densetsu-ju (animal lendário): Dragão (Change Dragon), Grifo (Change Griphon), Pégaso (Change Pegasus), Sereia (Change Mermaid) e Fênix (Change Phoenix). Com um vasto arsenal e o poderoso Change-Robô eles lutam contra os alienígenas de Gôzma, um império galáctico cuja sede fica no planeta de mesmo nome, e que conquistara e anexara um número sem-fim de mundos. Gôzma é liderado pelo malévolo Senhor Bazoo (Sei Oh Bazoo) e sua horda de ajudantes, que querem a qualquer custo dominar o planeta Terra.

Cada um dos Changeman tinha uma cor especifica, as cores eram vermelha, preta, azul, branca e rosa, só que na TV em preto e branca não tinha essas cores todas, mais tudo bem, Diego assistia todos os dias em sua tv, mais, um dia a Vó Tia ligou a tv colorida e Diego pediu para assistir a um episodio do Changeman a cores para ver como era, pronto, depois deste dia ele nunca mais quis assistir Changeman na tv preta e branca, só que a Vó Tia não gostava que mexesse na tv a cores, com muita insistencia do Diego, A Vovó deixou o menino assistir todos os dias Changeman na tv colorida com uma condição:

-Diego não mexa em nada! Se quizer mais ou menos volume, me chame.

-Se quizer trocar de canal, me chame, se quizer fazer qualquer coisa, me chame!

-Entendido?

-Sim Vó Tia, respondeu Diego, todo feliz, e sentindo que teria que cumprir o prometido.

Assim, com o passar do tempo a Vovó foi deixando ele usar o controle remoto e usar a tv normalmente.

Mais, eram só ela e ele!

Nada de Vó Linda, ou seu pai, o Zé.

Changeman passou na tv até 1994, Diego costumava brincar na escola de Changeman, ele queria ser o Gyodai, que era um ser que quando os monstros de Gozma eram destruídos pela Power Bazuca dos Changeman, Gyodai era invocado. De um olho localizado em sua boca, ele soltava um raio que restaurava os monstros e tornava-os gigantescos, ele falava só seu nome, Gyodai, Gyodai, Diego achava engraçado, por isso gostava.